17 fevereiro, 2020

Coligarela

Paródia Musical inserida no Julgamento/Sentença dos Compadres 2020
Letra de : Compadre Jodé
Vozes: Jodé, Antoino, Maria da Greta e Guarda Abelo


15 setembro, 2019

Regresso às aulas

E as aulas regressam!
Amanhã, tablet na mão, carregador no bolso, e "siga freitas"
Acabaram-se os lapis, as borrachas, os cadernos, os livros, etc!
Alunos do 5º Ano com Tablet's em vez de livros?!!!
Não, não sou um info-excluído, mas cada coisa no seu lugar!
Depois, admiram-se que as crianças só queiram andar vergados a olhar para smartphones e tablet's?!!
Eis o meu 1º livro em 1974 - Das únicas coisas que me gabo de ter direito e usado em 1ª classe! Custou 20$00! Sim, já tivemos escudos em Portugal.
Ao lado, o meu Tablet.Um iPad! Não, não sou info-exluído!
Mas caramba! Nem 8 nem 80! Tablet's em vez de livros?!
Será?
Já imaginaram a diferença das "redações" feitas em 1974 e 2019 cujo tema fosse "A Escola"?
(em 1974): Eu gosto muito de ir à escola porque aprendo a escrever nos cadernos e a ler os livros e por isso gosto muito do meu senhor professor. Durante o meio de dia de tempo que estou na escola não posso ajudar os meus pais a cavar, apanhar erva á cabra nem tirar o leite da vaca.
Só á noitinha, depois das avé-marias é que eu faço os trabalhos de casa: cópia, os problemas e as palavras para não dar eros no ditado…
(em 2019): Eu gramo bué d’ir p’ra escola porque aprendo umas cenas no tablet e smartphone e o profe é bué da fixe. É pena que durante as aulas o pessoal bloqueie os download´s dos filmes e series da Netflix assim a malta não pode ajudar os cotas lá de casa a poupar nada, sempre era mais uns trocos que sobrava para meter tabaco.
Mas pronto, à noitinha lá em casa no Google e nos fóruns descobro a maneira de resolver o problema…
Camões se fosse vivo cegava de vez!

19 julho, 2019

Um reforço de memória

Um pequeno edifício, um monumento, um marco histórico.
Reforço no sitio do Caminho Chão - Santana
Essencialmente, sinal de iluminação eletrica!
As expressões “ao pé, atrás, acima, abaixo do reforço” eram, e ainda são, usadas com frequência como se dum ponto de orientação geográfica.  
Recordo, há 40 e tal anos atrás quando se iniciaram as obras do “reforço da luz” á beira do “caminho do cantinho” abaixo da casa do “mudinho do Vieira” (compadre de meu pai). Era como se outro mundo estivesse a nascer! Estava ansioso por ver luz na estrada como já havia desde o Lombo do Curral até ao “lombado da igreja” (na Vila, junto da Igreja).
O reforço, construído a blocos e cimento crescia a olhos vistos e a altura já impressionava, que comparado com as casas de telha que já haviam na altura, dizíamos admirados: “raio q’o banano!” Notava-se que não era um reforço igual ao que havia na parte debaixo da freguesia junto da “venda do sr. Manuel Vieira”, no Caminho Chão. Esse, sim, de construção em pedra aparelhada, parecia um castelo.
Junto da escola dos Lamaceiros, na entrada da estrada de terra para a Feiteira de Cima, que a catrapilha abriu há anos, um “Volvo” (designação para camião grande), maior que o do Sr. Gregório, descarregou  uma carrada de postes de madeira, pintados de preto, com cheiro a creolina. Nessa altura no recreio, nem brincávamos à bola, à barra ou ao pilha-à-pilha só para apreciar os homens de pó na mão a furá-los manualmente na ponta. Eram os furos onde seriam metidos os ganchos de metal que suportariam os fios de cobre.
A ansiedade e curiosidade de ter luz elétrica tomava conta dos nossos sonhos. Pensavamos: será que um dia vou deixar de fazer os trabalhos da escola à luz do “candeeiro de folha”, colocado em cima da lata do café de cevada na mesa da cozinha, com aquele cheiro a petróleo?
Aquele candeeiro pequeno de folha zincada, já preto do fumo do lar, com torcida curta abrasada pela chama era usado apenas na cozinha. Havia o candeeiro de vidro, de qualidade superior, que até tinha pequena manivela de volume da chama, que quando era aumentado em excesso deixava logo marca de fumo no vidro, escurecendo-o. Mas esse era para uso na sala e em cima da mesinha de cabeceira no quarto de meus pais. Melhor que o candeeiro de vidro só mesmo aquele petromax  tipo lanterna cromada, na venda de meu tio Sousa e ainda melhor que este, a iluminação na venda do Sr. António Gomes, que tinha uma instalação fixa, a gás tipo petromax nos dois quartos (mercearia e quarto da bebida dos homens). Ate ficávamos cegos com tanta claridade naqueles saquinhos incandescentes, quando lá íamos de noite comprar 1 dl de azeite numa garrafinha de laranjada e 5 tostões de massa tomate embrulhado em papel vegetal. Melhor tivesse sido 5 tostões de doces, um pirolito ou daqueles gâmesses que trazia jogadores da bola e dava um catchú para quem tivesse a caderneta completa! Mas não era dia de festa!
A lage no topo do “reforço” e os postes afincados na beira do caminho aumentava a ansiedade também por ter luz elétrica em casa. Mas aí era mais complicado, como a nossa casa era de palha, com frontal de madeira não permitia a realização da “embaixada” nem pouco aquele frontal tinha resistência para suportar o postaleto que teria de atravessar a empena, furando o restolho. Era necessário obras de adaptação, o frontal tinha de ser a blocos e cimento e, claro, as portas e janelas teriam de ser também novas. A expectativa era de saber se meu pai ia mandar fazê-las. Num dia dizia que sim, noutro dia dizia que não. Nas conversas que ouvíamos entre eles (pai e mãe), é que era uma caristia.  Já não bastava abafar a casa de 4 em 4 anos! Nem se ponha o problema de licenças, porque não era preciso.
O “reforço” era o coração da luz elétrica, mas meu pai dizia que para colocar luz em casa era necessário dois reforços! Não percebia! Então ele explicava: o reforço da luz e o reforço financeiro!
Palavra reforço para mim era aquele prédio. Ou então o djipe que subia a ladeira do cantinho enlameirada e esvarando e ouvia o chauffer dizer que ia meter o reforço senão o carro rabiava!
Reforço feito, luzes acesas nos postes da estrada. Era uma alegria agora andar de noite e a minha casa transformou-se com os reforços e muito sacrifício.

foto com cerca de 40 anos