18 setembro, 2006

Por Ti e a Ti Ruben.

"A Luta pela Recordação
Os meus pensamentos foram-se afastando de mim, mas, chegado a um caminho acolhedor, repilo os tumultuosos pesares e detenho-me, de olhos fechados, enervado num aroma de afastamento que eu próprio fui conservando, na minha pequena luta contra a vida. Só vivi ontem. Ele tem agora essa nudez à espera do que deseja, selo provisório que nos vai envelhecendo sem amor. Ontem é uma árvore de longas ramagens, e estou estendido à sua sombra, recordando. De súbito, contemplo, surpreendido, longas caravanas de caminhantes que, chegados como eu a este caminho, com os olhos adormecidos na recordação, entoam canções e recordam. E algo me diz que mudaram para se deter, que falaram para se calar, que abriram os olhos atónitos ante a festa das estrelas para os fechar e recordar... Estendido neste novo caminho, com os olhos ávidos florescidos de afastamento, procuro em vão interceptar o rio do tempo que tremula sobre as minhas atitudes. Mas a água que consigo recolher fica aprisionada nos tanques ocultos do meu coração em que amanhã terão de se submergir as minhas velhas mãos solitárias... "
Pablo Neruda, in 'Nasci para Nascer'

A última fotografia que tiraste, em que posaste a meu lado todo sorridente, naquele factidico passeio, faz hoje precisamente um ano. Momentos depois, quis Deus que "partisses" no Seu Caminho, deixando-nos tristes mas crentes que estejas na Sua companhia e sempre presente em nossos corações. Daí consegues ver as injustiças e crueldades deste Mundo, das quais também foste uma vitima inocente. Por Ti, e a Ti Ruben, esta singela homenagem dos "companheiros" da ultima caminhada.

2 comentários:

Anónimo disse...

O homem do berdades tem muito humor. Mas, pelos vistos também tem "SENTIMENTOS". É sempre triste perder um amigo, sobretudo quando presenciamos a sua partida na flor da idade. A separação é sempre difícil, mas temos que estar sempre preparados, não sabemos quando é que somos chamados.
Dedico este poema ao falecido, (ensinou-me o meu grande professor de Matemática).

QUANDO PARTIMOS

Quando partimos, no vigor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão connosco á frente
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo cantando, céleres e ufanos,
Vamos marchando descuidosamente,
Mas.Eis chega a velhice de-repente,
Desfazendo ilusões, matando enganos

Então é que nós vemos claramente,
Como a existência é rápida e falaz
E acontece-nos, mesmo exactamente

O contrário dos tempos de rapaz:
as ilusões vão connosco à frente,
E as esperanças vão ficando atrás!.

Fx23/09/2006

Anónimo disse...

Estarás sempre nos nossos corações Rubén