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19 julho, 2019

Um reforço de memória

Um pequeno edifício, um monumento, um marco histórico.
Reforço no sitio do Caminho Chão - Santana
Essencialmente, sinal de iluminação eletrica!
As expressões “ao pé, atrás, acima, abaixo do reforço” eram, e ainda são, usadas com frequência como se dum ponto de orientação geográfica.  
Recordo, há 40 e tal anos atrás quando se iniciaram as obras do “reforço da luz” á beira do “caminho do cantinho” abaixo da casa do “mudinho do Vieira” (compadre de meu pai). Era como se outro mundo estivesse a nascer! Estava ansioso por ver luz na estrada como já havia desde o Lombo do Curral até ao “lombado da igreja” (na Vila, junto da Igreja).
O reforço, construído a blocos e cimento crescia a olhos vistos e a altura já impressionava, que comparado com as casas de telha que já haviam na altura, dizíamos admirados: “raio q’o banano!” Notava-se que não era um reforço igual ao que havia na parte debaixo da freguesia junto da “venda do sr. Manuel Vieira”, no Caminho Chão. Esse, sim, de construção em pedra aparelhada, parecia um castelo.
Junto da escola dos Lamaceiros, na entrada da estrada de terra para a Feiteira de Cima, que a catrapilha abriu há anos, um “Volvo” (designação para camião grande), maior que o do Sr. Gregório, descarregou  uma carrada de postes de madeira, pintados de preto, com cheiro a creolina. Nessa altura no recreio, nem brincávamos à bola, à barra ou ao pilha-à-pilha só para apreciar os homens de pó na mão a furá-los manualmente na ponta. Eram os furos onde seriam metidos os ganchos de metal que suportariam os fios de cobre.
A ansiedade e curiosidade de ter luz elétrica tomava conta dos nossos sonhos. Pensavamos: será que um dia vou deixar de fazer os trabalhos da escola à luz do “candeeiro de folha”, colocado em cima da lata do café de cevada na mesa da cozinha, com aquele cheiro a petróleo?
Aquele candeeiro pequeno de folha zincada, já preto do fumo do lar, com torcida curta abrasada pela chama era usado apenas na cozinha. Havia o candeeiro de vidro, de qualidade superior, que até tinha pequena manivela de volume da chama, que quando era aumentado em excesso deixava logo marca de fumo no vidro, escurecendo-o. Mas esse era para uso na sala e em cima da mesinha de cabeceira no quarto de meus pais. Melhor que o candeeiro de vidro só mesmo aquele petromax  tipo lanterna cromada, na venda de meu tio Sousa e ainda melhor que este, a iluminação na venda do Sr. António Gomes, que tinha uma instalação fixa, a gás tipo petromax nos dois quartos (mercearia e quarto da bebida dos homens). Ate ficávamos cegos com tanta claridade naqueles saquinhos incandescentes, quando lá íamos de noite comprar 1 dl de azeite numa garrafinha de laranjada e 5 tostões de massa tomate embrulhado em papel vegetal. Melhor tivesse sido 5 tostões de doces, um pirolito ou daqueles gâmesses que trazia jogadores da bola e dava um catchú para quem tivesse a caderneta completa! Mas não era dia de festa!
A lage no topo do “reforço” e os postes afincados na beira do caminho aumentava a ansiedade também por ter luz elétrica em casa. Mas aí era mais complicado, como a nossa casa era de palha, com frontal de madeira não permitia a realização da “embaixada” nem pouco aquele frontal tinha resistência para suportar o postaleto que teria de atravessar a empena, furando o restolho. Era necessário obras de adaptação, o frontal tinha de ser a blocos e cimento e, claro, as portas e janelas teriam de ser também novas. A expectativa era de saber se meu pai ia mandar fazê-las. Num dia dizia que sim, noutro dia dizia que não. Nas conversas que ouvíamos entre eles (pai e mãe), é que era uma caristia.  Já não bastava abafar a casa de 4 em 4 anos! Nem se ponha o problema de licenças, porque não era preciso.
O “reforço” era o coração da luz elétrica, mas meu pai dizia que para colocar luz em casa era necessário dois reforços! Não percebia! Então ele explicava: o reforço da luz e o reforço financeiro!
Palavra reforço para mim era aquele prédio. Ou então o djipe que subia a ladeira do cantinho enlameirada e esvarando e ouvia o chauffer dizer que ia meter o reforço senão o carro rabiava!
Reforço feito, luzes acesas nos postes da estrada. Era uma alegria agora andar de noite e a minha casa transformou-se com os reforços e muito sacrifício.

foto com cerca de 40 anos

02 novembro, 2017

Jogo da manhã

Era no final da "desfolha" e "esbanga" do milho, ou no "descascar do feijão", em que vizinhos e amigos se reuniam para ajudar naquelas tarefas agrícolas, que se jogava este jogo tradicional. Consiste em dar uma palmada na mão do jogador que "dormia" de cara vendada e este, por sua vez, teria que adivinhar quem lhe tinha batido, para se livrar de apanhar mais, colocando o suspeito em seu lugar.
Jogo recriado pela Associação Cultural Lirios do Norte no dia 1-11-2017 por ocasião da recriação da atividade "esbanga do Milho" no Parque Temático da Madeira .

20 maio, 2015

90º Aniversário do Sr. Manuel Gouveia

Um testemunho de vida e lembranças, gravadas no dia 17 de maio de 2015 na sua residência, no sitio das Queimadas e Fontes, Santana, por ocasião do seu 90º aniversário.


19 abril, 2015

Visita ao Museu "Família Teixeira"

Hoje, pela 1ª vez, tive o prazer de visitar o Museu "Família Teixeira" na Fajã da Murta, Faial, Santana. Um fim de tarde bem passado apreciando a beleza e a cultura desta família ali representada . Está de parabéns o amigo Aneclet Teixeira D Freitas pelo gosto, dedicação e amor pelos seus antepassados ali representados em cada canto, perpetuando-os para memória futura. Um muito obrigado ao amigo Ricardo Silva pela excelente visita guiada, demonstrando excelentes conhecimentos históricos do espólio ali depositado, a par de um boa comunicabilidade. Um lugar que aconselho a visitar. As entradas são gratuitas.
Fajã da Murta - Faial - Santana
Posted by Compadre Jodé on Domingo, 19 de Abril de 2015

15 abril, 2015

Santana d'Outros Tempos - #4

Um marco histórico, como muitos outros, que ainda perduram pela freguesia de Santana.
A traça original ainda é visível no frontal de madeira desta casa que, em tempos, foi coberta de restolho e hoje abrigada por uma dúzia de folhas de zinco. Caso contrário, nem frontal existia. Foram, e continuam a ser, o simbolo de Santana e da Madeira.
Histórias não devem faltar a quem porventura viveu ou conviveu nesta humilde habitação localizada no Sitio da Achada do Gramacho, que atualmente serve de arrecadação.

14 abril, 2015

Santana d'Outros Tempos #3

Situado no Sitio do Barreiro, Santana. O Matadouro, local para onde aos fins de semana era levado o gado bovino para abate. Muita carne saiu dali.


12 abril, 2015

11 abril, 2015

Santana d'Outros Tempos #1

Faz parte da minha infância, era em frente dela que na estrada de terra batida se faziam os renhidos jogos de futebol nas tardes de domingo ou dias Santos, mas que não os da altura da Páscoa.
Também em frente havia o fontanário que nas festas de Santo António e São Pedro proporcionava-nos as alegrias de saltar à fogueira. 
Aqui também ia ao barbeiro (primo Ornelas, que Deus o tenha) , mas cortar o cabelo.
Tempos idos que a memória não apaga já lá vão quase meio século.
Fica nos Lamaceiros, e o local era conhecido como "Ao pé da Fonte" dada a localização junto ao fontanário.

02 março, 2015

Ponte Primeiro de Julho - finalmente o nome cravado!

Tantas vezes, durante anos, no dia 1 de Julho escrevia um post a reclamar a afixação do nome desta ponte (o 1º post data de 2006) e hoje vi, com agrado que, finalmente, tal aconteceu. Ponte Primeiro de Julho que substitui a antiga Ponte Velha, destruída por uma intempérie.


Hino do Centenário